#chegadecorrupção

Das dores de Minas

Queria escrever suavemente, para não machucar as feridas dos viventes. Queria escrever com o cuidado de quem ampara a pessoa que se enfraqueceu após um grande golpe. Queria ser como a flor branca que enfeita a sala da casa. Gostaria de refazer o tempo, preencher os silêncios e encontrar o que foi perdido.

Queria escrever suavemente, para não machucar as feridas dos viventes. Queria escrever com o cuidado de quem ampara a pessoa que se enfraqueceu após um grande golpe. Queria ser como a flor branca que enfeita a sala da casa. Gostaria de refazer o tempo, preencher os silêncios e encontrar o que foi perdido.

São muitas as dores de Minas. Escavaram impiedosamente seu solo, deixaram crateras na terra e nos corações. Encurralaram seus rios. Cortaram montanhas e picos. Pegaram minérios, ouros e pedras. Tiraram suas matas para queimá-las nos fornos. Encheram os trens que vão para os portos. Deixaram os rejeitos desabarem sobre sua terra, suas águas, sua gente. Minas foi sendo assim arrancada de si mesma, desde o início. Agora a chuva tem caído como se fosse o fim do mundo. O solo encharcado e cansado desmorona. Esta é a história das muitas dores de Minas. “Os mineiros sabem e não contam”, diz Drummond, o poeta que sabia tudo, inclusive como dói um retrato na parede. Os mineiros contariam suas aflições se encontrassem palavras fortes o suficiente para acordar os incautos, suaves o bastante para curar as feridas. Os mineiros olham os retratos. Minas segue em silêncio, enterrando seus mortos e buscando o recomeço.

São muitas as dores de Minas. Escavaram impiedosamente seu solo, deixaram crateras na terra e nos corações. Encurralaram seus rios. Cortaram montanhas e picos. Pegaram minérios, ouros e pedras. Tiraram suas matas para queimá-las nos fornos. Encheram os trens que vão para os portos. Deixaram os rejeitos desabarem sobre sua terra, suas águas, sua gente. Minas foi sendo assim arrancada de si mesma, desde o início. Agora a…

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