#chegadecorrupção

O colo na batalha

Liguei para mamãe e pedi socorro. Tinha 30 anos e estava mergulhada numa crise imensa, com reveses que não poupavam áreas da vida. Tudo parecia me derrotar. Quando telefonei, estava deitada, me lembro ainda hoje. Até ficar em pé era um esforço que achava impossível. A noite passara e não me trouxe alívio. O dia começara há muito tempo e eu ainda estava presa à cama. Ao ouvir a voz dela, desatei no choro que saía fácil naqueles dias. Ao ouvir meu pedido de socorro, ela foi direta:

Liguei para mamãe e pedi socorro. Tinha 30 anos e estava mergulhada numa crise imensa, com reveses que não poupavam áreas da vida. Tudo parecia me derrotar. Quando telefonei, estava deitada, me lembro ainda hoje. Até ficar em pé era um esforço que achava impossível. A noite passara e não me trouxe alívio. O dia começara há muito tempo e eu ainda estava presa à cama. Ao ouvir a voz dela, desatei no choro que saía fácil naqueles dias. Ao ouvir meu pedido de socorro, ela foi direta:

– Nunca te vi assim. Ficar aí deitada não vai adiantar nada. Levanta e vai procurar emprego.

– Nunca te vi assim. Ficar aí deitada não vai adiantar nada. Levanta e vai procurar emprego.

Julguei na hora que ela tivesse sido dura demais. Eu pedindo socorro e a dona Mariana me apontava o campo de batalha. Durante muito tempo pensei nesse dia. Eu tinha uma mãe diferente das outras. Desde a infância notara, olhando a rotina das outras famílias de classe média de uma cidade do interior. A melhor amiga da infância tinha sempre a mãe por perto. A minha estava ocupada demais para dar atenção aos muitos filhos que tinha. A da minha amiga ajudava nos deveres, a minha estava ocupada com seus próprios livros, quando não estava fora de casa no seu trabalho. Às vezes, eu saía direto da escola para a casa da minha amiga e ela era recebida pela mãe com perguntas interessadas sobre o dia na escola, a vida, os sentimentos, os colegas, os professores e os planos para a tarde….

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