#chegadecorrupção

Robôs sentimentais

Aquilo estava me irritando. Todo dia, várias vezes por dia, o celular tocava e quando eu atendia a voz programada repetia:

Aquilo estava me irritando. Todo dia, várias vezes por dia, o celular tocava e quando eu atendia a voz programada repetia:

– Olá, Luís, tenho uma ótima notícia para você, mas antes preciso saber se você é Luís.

– Olá, Luís, tenho uma ótima notícia para você, mas antes preciso saber se você é Luís.

Não havia modo de convencer aquela voz que eu não me chamo Luís. Já havia tentado responder. Já tentara pressionar o número pedido para os que não fossem Luís. O celular continuava tocando. Continua, na verdade. Não sei como livrar-me desse call center que, aliás, pelo que entendi de momentos em que tive paciência de interagir, é contratado pelo meu banco, que supostamente deveria saber quem eu sou.

Não havia modo de convencer aquela voz que eu não me chamo Luís. Já havia tentado responder. Já tentara pressionar o número pedido para os que não fossem Luís. O celular continuava tocando. Continua, na verdade. Não sei como livrar-me desse call center que, aliás, pelo que entendi de momentos em que tive paciência de interagir, é contratado pelo meu banco, que supostamente deveria saber quem eu sou.

– NÃO, não sou Luís. Não sou LUÍS! — berrei.

– NÃO, não sou Luís. Não sou LUÍS! — berrei.

Mariana, 13, e Daniel, 9, meus netos me olharam assustados por aquele acesso de fúria, sem aviso prévio. Eu estava, minutos antes, rindo com eles. Quiseram saber que história era aquela. Eu contei e Daniel me confortou:

Mariana, 13, e Daniel, 9, meus netos me olharam assustados por aquele acesso de fúria, sem aviso prévio. Eu estava, minutos antes, rindo com eles. Quiseram saber que história era aquela. Eu contei e Daniel me confortou:

– Aproveita, vovó, e desabafa, porque essa é a última geração de robôs sem sentimentos.

– Aproveita, vovó, e desabafa, porque essa é…

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