#chegadecorrupção

A força que vem de longe

Era o fim dos anos 20 do século passado, quando minha avó pegou todos os filhos e os colocou no trem para Minas Gerais. Deixava para trás o marido e o Espírito Santo. Eram doze filhos. Minha mãe, Mariana, aos quatro anos era a penúltima. Nunca se entendeu a separação, porque ela não era de dar essas intimidades aos outros. Apenas revoltou-se e foi embora de trem. Comprou uma fazenda, a Soledade, com um sobrado de três andares e nela criou os bois e os filhos. Meu avô vinha visitar. E eles, nesse entender-se e desentender-se, tiveram mais dois filhos. Ele pagou os estudos das meninas mais velhas. Queria que elas tivessem curso superior. Tinha, o meu avô Norberto, uma doçura na voz e no trato que contrastava com a aspereza da mulher. O nome era Norwinda, mas era conhecida por Sinhá. Tinha ares de sinhá. Não a conheci desse tempo da fazenda, mas trago a memória das histórias contadas pelas minhas irmãs, Beth e Ana, as mais velhas. Comandava a fazenda, dava lances em leilão de gado, providenciava, produzia, provia. Anos depois, já na cidade, estava a horas da morte, quando minhas irmãs disseram: “vovó, o vovô veio te ver”. Ela pediu às netas o espelho, o pente e o batom. Enfeitou-se, porque podia morrer, mas não entregar-se. Avisou que fechassem a porta, depois de o vovô entrar. Não se sabe o que falaram. Exceto, o que vovô Norberto sentenciou depois do último suspiro:

Era o fim dos anos 20 do século passado, quando minha avó pegou todos os filhos e os colocou no trem para Minas Gerais. Deixava para trás o marido e o Espírito Santo. Eram doze filhos. Minha mãe, Mariana, aos quatro anos era a penúltima. Nunca se entendeu a separação, porque ela não era de dar essas intimidades aos outros. Apenas revoltou-se e foi embora de trem. Comprou uma fazenda, a Soledade, com um sobrado de três andares e nela criou os bois e os filhos. Meu avô vinha visitar. E eles, nesse entender-se e desentender-se, tiveram mais dois filhos….

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